O Início


Eduardo Campolina

 

Já havia tido contato com o aeromodelismo em algumas oportunidades. Acompanhei o primo da minha esposa em suas saídas para voar aeromodelos glow. Achei interessante, pilotei um pouco, mas nunca me empolguei.  

Tínhamos e ainda temos, eu, minha esposa e meus filhos o hábito de, nos finais de tarde aos domingos, subirmos ao Topo do Mundo para apreciar a paisagem e ver os “parapas” voando. Num destes domingos em agosto de 2007, assim que saí do carro, me chamou a atenção um pequeno objeto em delta que pairava sobre a rampa. Subi com a atenção naquilo e fui direto procurar quem estava pilotando.


Assim que identifiquei quem estava com o controle, me aproximei e disparei a perguntar. Não me lembro do nome do piloto nem de seu rosto por não ter tirado os olhos do modelo, mas o nome daquilo eu não esqueci: Zagi.

Fiquei fascinado pela forma, maneira de voar e pela possibilidade de se manter voando por horas, dependendo apenas da duração das baterias. Nada de barulho, combustível, voos curtos, sujeira. Quando o rapaz falou o preço então...


A Zagui que me despertou para o Hobby


Estava decidido, não tinha mais volta, tinha de comprar uma. Fui para casa com a asa na cabeça e chegando fui direto ao computador. Pesquisei no youtube e os primeiros vídeos que achei foram os do pessoal do “Asas de Combate” voando na Serra da Moeda. 

Judiação aquilo. Voos muito mais bonitos do que tinha visto horas antes, várias asas, acrobacias, passadas rápidas, vôos lentos sobre a cabeça, pousos na mão... Pesquisei em inglês e caí nos vídeos da turma que voa em Long Beach na Califórnia. Foi o tiro de misericórdia.


Primeiros vídeos pesquisados:

 

 

   

 

   Long Beach 1                                    Long Beach 2                                       Long Beach 3

 


Poucas semanas depois já tinha comprado o rádio e encomendando duas asas. Enquanto aguardava, fiz aulas num treinador Glow para me acostumar com os comandos. 
Quando as asas chegaram, uma planadora e uma elétrica, montei a eletrônica  da planadora e fui para um morro próximo de casa. Lancei algumas vezes e, com alguma dificuldade, mantendo a Zagi alinhada com o vento, consegui permanecer no ar por alguns minutos.


No entanto, a asa começou a se afastar e tentei fazer um oito para trazer de volta, mas com a pouca prática, pegou um vento de cauda e acelerou. 
Assustado, tentei virar, mas só consegui um loop curto e a asa bateu de bico com certa velocidade. Na queda, partiu quase de fora a fora bem no meio. Mais tarde, a asa foi colada, reforçada e decidi que devia treinar mais um pouco.


Me voltei então para a asinha elétrica que também deu um pouco de trabalho com a eletrônica e acabou sendo a minha escola: rápida e arisca com motor, tranqüila e com muita sustentação sem ele. Depois veio o cessninha elétrico para voar no Mineirão e fiquei um bom tempo longe do morro, pois ficava aqui em baixo marcando o vento, pensando que a condição de vento aqui em baixo , refletia a condição lá em cima.  Subi poucas vezes neste período.

 




Zagi elétrica de 90cm.
Proporcionou um aprendizado intenso pela possibilidade de diferentes características de voo usando ou não o motor. Aguentou muito abuso sem danificar de forma grave durante vários meses.

 

Cessninha elétrico. 

Voo estável mas ágil. Diversão garantida. Companheiro das noites de quinta no Mineirão

 

 

Um sábado amanheceu com muito vento e subimos para o Retiro. Neste dia tinha bastante gente, muitas asas, planadores termais, alguns elétricos de isopor e eu estava feliz voando minha zagui já por mais de uma hora.

Então me chamaram a atenção para um modelo que estava sendo lançado.  Era o ASW 28 do Átila...



ASW 28 de 4 metros de envergadura. 
O voo de um realismo impressionante, só possível em um escala deste tamanho. 
Me fez repensar os meus objetivos no hobby, bastante modestos até então.



A partir deste dia, o que era inicialmente só uma asinha pra relaxar no final de semana, virou uma paixão crescente.

Hoje, além da Zagui que não largo por nada, voo com um Spirit 2 metros , especial para os dias de vento fraco, um Fox de 1,60m, a máquina acrobática para os dias de ventão com o bônus de ser um belíssimo escala e, mais recentemente, o Duo Discus de 2,50 metros, uma preparação para um escala de peso.


O objetivo agora é seguir com os escalas maiores e me aprofundar em voos acrobáticos no estilo dos franceses, conhecido como VTPR ou simplesmente Voltige.  

  


Coquillaj
Enviado por F-Jones

 

 


Sinto que é uma paixão sem limites, que vou seguir para o resto da minha vida subindo o morro com meus planadores, com ou sem vento, pois além do prazer do hobby em si, tenho a companhia da turma mais amigável, prestativa e desinteressada que já conheci.
Uma turma onde o que importa é voar com seus planadores: A Tribo Vento na Cara!



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